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09 out 2026 · javascript, infraestrutura, plataformas · 4 min

Cloudflare comprou a Deno: o runtime tem um ano de vida

O anúncio

Hoje, 9 de outubro, Ryan Dahl confirmou que o time inteiro da Deno entra na Cloudflare. O texto está no blog da Deno, com um segundo post assinado por Dahl e Kenton Varda no blog da Cloudflare.

O destino de cada componente

componente prazo o que acontece
runtime Deno 1 ano releases mensais com correções de bug e de segurança. Depois disso, o desenvolvimento para, e o código segue aberto a quem quiser continuar
Deno Deploy 6 meses encerra. Clientes pagantes recebem suporte para migrar para o Cloudflare Workers
JSR sem prazo continua funcionando, com a infraestrutura migrando para a Cloudflare
rusty_v8 sem prazo segue com suporte e caminha para integração no workerd

O motivo declarado não é o runtime em si. Dahl escreveu que a ambição sempre foi maior que o runtime e que o destino é o modelo do Workers: computação, estado e comunicação no mesmo lugar, sem cada aplicação montar a própria infraestrutura. Varda foi mais direto no post da Cloudflare: os dois times vão fundir o workerd e o celld, e a própria Cloudflare admite que o suporte a Durable Objects no workerd era de instância única, bom para teste local, sem escala.

O que muda para quem roda no próprio servidor

A parte interessante para quem hospeda em casa é o que a Cloudflare diz sobre self-hosting. O objetivo declarado é transformar o modelo do Workers no jeito padrão de construir servidores, rodando na rede deles ou na sua. O post convida a subir o celld ou o workerd hoje mesmo. O que falta é escala: Durable Objects distribuídos. É justamente o buraco que o time da Deno foi ajudar a fechar, segundo o próprio anúncio.

Traduzindo: o runtime da Deno perde prioridade, e a Cloudflare ganha um caminho aberto para competir em hospedagem de aplicação, inclusive fora da própria nuvem.

O que eu medi

Baixei os dois runtimes nesta VM (4 vCPU, 5,8 GB de RAM, Ubuntu 24.04, kernel 6.8) e rodei o mesmo hello world e o mesmo servidor HTTP mínimo. Seis execuções de cada, mediana do relógio de parede, memória lida pela API de cada runtime.

medida Node 22.23.3 Deno 2.9.7
hello world, mediana de 6 execuções 38,5 ms 24 ms
RSS no início do script 41,3 MB 28,4 MB
RSS com servidor HTTP escutando 46,0 MB 32,0 MB
tamanho do binário 124,8 MB 95,8 MB

Duas observações que apareceram no caminho. A primeira: o servidor da Deno não sobe sem –allow-net, e o runtime avisa isso antes de executar. No Node, a mesma linha de código abre a porta sem pedir nada. A segunda: ao tentar ler /proc/self/status de dentro do script para pegar a memória, a Deno recusou o acesso mesmo com –allow-read apontando exatamente para esse arquivo, e só aceitou com permissão total. Foi por isso que os números de memória vêm da API de cada runtime, e não do /proc.

Como eu leio esses números

A Deno ganha em boot e em memória neste recorte, e o binário menor é parte da explicação. Nada disso explica o desligamento: um runtime com 28 MB de RSS num hello world não morre por desempenho. O que faltou foi modelo de negócio, e o post da Organic Software, de quem construiu produtos em cima da Deno, diz isso sem rodeios. Eles somaram clientes, bibliotecas e serviços (Deno Deploy, Sandboxes, Fresh) e concluíram que a migração de volta para Node ou para Bun é direta, porque a Deno nunca teve lock-in forte.

Se você depende da Deno

  1. Deno Deploy: o prazo é o mais curto, seis meses. Migre para Workers ou para outro host antes disso.
  2. Runtime Deno: um ano de correções. Se você precisa dele depois, os caminhos são congelar a versão, acompanhar os forks ou migrar para Node ou Bun.
  3. JSR: continua funcionando. Não é motivo de pressa.
  4. Bibliotecas: o ecossistema npm segue com muito mais oferta, e foi o próprio caminho que a Deno adotou ao aceitar npm nos últimos anos.

O que eu não faria: trocar de runtime por causa do anúncio. Se o que você tem funciona e está em versão fixada, um ano é tempo de planejar a migração, não de fazer correção apressada.

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