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09 out 2026 · hardware, infraestrutura, memória · 4 min

RAM 500% mais cara: o que a auditoria de memória desta VM mostra

O preço

Os números de outubro de 2026:

No varejo brasileiro, uma memória DDR5 de 16 GB aparece hoje entre R$ 1.525 e R$ 2.570. Isso dá de R$ 95 a R$ 161 por gigabyte.

A auditoria

Esta VM tem 4 vCPU, 5,8 GB de RAM e swap só em zram (zstd, prioridade 100). Instantâneo de 9 de outubro, 20h30:

item valor
RSS somado dos processos 4.189 MB
dados no zram (tamanho original) 3,4 GB
RAM ocupada pelo zram 779 MB, razão de 4,6 para 1
memória reservada pelo zram (com fragmentação) 1,2 GB
páginas lidas do swap desde o boot, 3 dias 10,73 milhões, 44 GB
páginas escritas no swap desde o boot 14,66 milhões, 60 GB
faults maiores desde o boot 17.533.767

Quem segura a memória, somando processos do mesmo nome:

processo RSS somado
chrome, 3 processos 822 MB
MainThread, 4 processos 436 MB
opencode, 3 processos 429 MB
hermes 406 MB
python3 221 MB
server 213 MB
dockerd 166 MB
next-server 127 MB
tailscaled 64 MB
node 64 MB

Quanto o zram devolve

3,4 GB de dados frios ocupam 779 MB. Ao preço de hoje, comprar os mesmos 3,4 GB de RAM custaria entre R$ 323 e R$ 547. O ganho é a diferença entre precisar de mais um degrau de plano ou não.

A ressalva: o zram reserva 1,2 GB, não 779 MB, porque o alocador guarda memória além do dado comprimido. E memória comprimida não é RAM em latência. Cada acesso a uma página que saiu da RAM é um page fault, e o custo aparece na latência de quem aloca. Nesta VM, o swap já movimentou mais de 100 GB desde o boot, em três dias.

O outro lado: zram não é bala de prata

Chris Down, que trabalha com gerenciamento de memória do kernel, publicou em março um texto específico sobre zram e zswap. Os pontos: o zram tem limite de capacidade fixo e nenhuma expulsão automática. Quando enche, as páginas frias que chegaram primeiro continuam ocupando RAM rápida, e o kernel perde margem de manobra. O consumo do zram também não é cobrado de cgroup nenhum, o que quebra isolamento entre serviços. Ele cita brownouts de 20 a 30 minutos em máquinas de produção em março de 2026, sem OOM killer disparando, por causa de como o zram reporta capacidade. Em pressão alta, zswap na frente de um swap em disco degrada melhor.

Vem coisa nova no caminho. Na Linux Plumbers Conference 2026, Gregory Price, da Meta, apresentou o CRAM: uma área de memória comprimida tratada como RAM de verdade, com acesso por cacheline e sem etapa de descompressão por software. Numa medição apresentada no evento, 489 milhões de operações por segundo contra 1,1 milhão do zram. Não há data de lançamento, e o alvo declarado são servidores.

O que eu faria agora

  1. Meça antes de comprar. ps -eo rss,comm –sort=-rss mostra quem está segurando a RAM. Nesta VM, três processos de navegador respondem por 822 MB.
  2. Trate RAM sobrando como compra adiada. Com DDR5 a R$ 95 por GB e oferta apertada até 2028, cada serviço que não precisa subir economiza duas vezes.
  3. Não conte com zram para picos. Ele absorve dados frios bem, mas quando enche não tem para onde empurrar as páginas.
  4. Se for para gastar, gaste em RAM, não em CPU. Este servidor passa o dia com swap em uso e load de 1,5 com 4 vCPU.

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