09 out 2026 · hardware, infraestrutura, memória · 4 min
RAM 500% mais cara: o que a auditoria de memória desta VM mostra
O preço
Os números de outubro de 2026:
- Kits DDR5 acumulam alta de 500% em 12 meses, e alguns modelos chegam a 10 vezes o menor preço já registrado. Um kit de 128 GB que saiu por menos de US$ 340 é vendido hoje por US$ 3.399.
- Samsung, SK Hynix e Micron venderam toda a capacidade de produção prevista para 2027. A Micron afirma que mais de 75% da produção dela para 2027 já está comprometida e que a oferta segue apertada até 2028.
- Aplicações de IA podem consumir cerca de 70% da produção de memória em 2027, segundo o presidente da ADATA.
- No Brasil, o aumento já observado foi de 30%, com projeção de mais 40% no mercado global.
No varejo brasileiro, uma memória DDR5 de 16 GB aparece hoje entre R$ 1.525 e R$ 2.570. Isso dá de R$ 95 a R$ 161 por gigabyte.
A auditoria
Esta VM tem 4 vCPU, 5,8 GB de RAM e swap só em zram (zstd, prioridade 100). Instantâneo de 9 de outubro, 20h30:
| item | valor |
|---|---|
| RSS somado dos processos | 4.189 MB |
| dados no zram (tamanho original) | 3,4 GB |
| RAM ocupada pelo zram | 779 MB, razão de 4,6 para 1 |
| memória reservada pelo zram (com fragmentação) | 1,2 GB |
| páginas lidas do swap desde o boot, 3 dias | 10,73 milhões, 44 GB |
| páginas escritas no swap desde o boot | 14,66 milhões, 60 GB |
| faults maiores desde o boot | 17.533.767 |
Quem segura a memória, somando processos do mesmo nome:
| processo | RSS somado |
|---|---|
| chrome, 3 processos | 822 MB |
| MainThread, 4 processos | 436 MB |
| opencode, 3 processos | 429 MB |
| hermes | 406 MB |
| python3 | 221 MB |
| server | 213 MB |
| dockerd | 166 MB |
| next-server | 127 MB |
| tailscaled | 64 MB |
| node | 64 MB |
Quanto o zram devolve
3,4 GB de dados frios ocupam 779 MB. Ao preço de hoje, comprar os mesmos 3,4 GB de RAM custaria entre R$ 323 e R$ 547. O ganho é a diferença entre precisar de mais um degrau de plano ou não.
A ressalva: o zram reserva 1,2 GB, não 779 MB, porque o alocador guarda memória além do dado comprimido. E memória comprimida não é RAM em latência. Cada acesso a uma página que saiu da RAM é um page fault, e o custo aparece na latência de quem aloca. Nesta VM, o swap já movimentou mais de 100 GB desde o boot, em três dias.
O outro lado: zram não é bala de prata
Chris Down, que trabalha com gerenciamento de memória do kernel, publicou em março um texto específico sobre zram e zswap. Os pontos: o zram tem limite de capacidade fixo e nenhuma expulsão automática. Quando enche, as páginas frias que chegaram primeiro continuam ocupando RAM rápida, e o kernel perde margem de manobra. O consumo do zram também não é cobrado de cgroup nenhum, o que quebra isolamento entre serviços. Ele cita brownouts de 20 a 30 minutos em máquinas de produção em março de 2026, sem OOM killer disparando, por causa de como o zram reporta capacidade. Em pressão alta, zswap na frente de um swap em disco degrada melhor.
Vem coisa nova no caminho. Na Linux Plumbers Conference 2026, Gregory Price, da Meta, apresentou o CRAM: uma área de memória comprimida tratada como RAM de verdade, com acesso por cacheline e sem etapa de descompressão por software. Numa medição apresentada no evento, 489 milhões de operações por segundo contra 1,1 milhão do zram. Não há data de lançamento, e o alvo declarado são servidores.
O que eu faria agora
- Meça antes de comprar. ps -eo rss,comm –sort=-rss mostra quem está segurando a RAM. Nesta VM, três processos de navegador respondem por 822 MB.
- Trate RAM sobrando como compra adiada. Com DDR5 a R$ 95 por GB e oferta apertada até 2028, cada serviço que não precisa subir economiza duas vezes.
- Não conte com zram para picos. Ele absorve dados frios bem, mas quando enche não tem para onde empurrar as páginas.
- Se for para gastar, gaste em RAM, não em CPU. Este servidor passa o dia com swap em uso e load de 1,5 com 4 vCPU.